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16 de Janeiro de 2018

A gênese da violência na moral

Julio Cesar Carminati Simoes, Estudante de Direito
mês passado


A violência urbana é apresentada e estudada pelo aspecto moral, possibilitando um novo olhar sobre a matéria, onde a propositura da moral como uma vertente de estudo da violência possibilita um entendimento das fundamentações a que o indivíduo pondera ao cometer ou a o submeter-se a prática criminosa.


A gênese da violência na moral

A violência urbana tem como idiossincrasia a transgressão da norma, a violação e a insubordinação aos direitos do homem e do Estado no âmbito da pólis. Esta ação danosa é o resultado de um mal que não foi criado pelo ambiente, proporcionado pela ocasião ou imposta por uma força transcendental ao homem, mas tento o homem como o real percurso do mal metropolitano. A ação não será aqui analisada, mas sim a sua fundamentação por meio de um exame pormenorizado da moral do indivíduo e o seu efeito corolário. Entende-se como gênese, Do latim genĕsis, a génese é a origem ou o princípio de algo1 . Logo, estudar-se-á a origem moral da violência urbana, que aqui será apresentado como mal citadino. A visão em que o meio social impõe ao homem as características da bondade o a falta desta aqui não será abordada, pois partimos do pressuposto que o homem é dotado de liberdade, e sua escolhas são fundadas de características peculiares ao indivíduo, desde modo, a liberdade é inerente ao home, como o homem é responsável pelo seu uso. Aplicar ou delegar a responsabilidade das ações exclusivas ao homem, como o poder de escolha em fazer ou não determinado fato que poderá acarretar em uma violência à norma. O poder de escolha do homem não é vazio e repentino, mas fundado em valores morais que o delimitam. É necessário avaliar, nas ações violência a norma e aos direitos do homem, o agente não tem moral, ou a sua moral é formada por princípios inusuais ao resto.

-A moral no tempo

Com o decorrer do tempo, houve uma evolução da sociedade, não cabendo aqui valorizar se foi positiva ou negativa, mas esse desenvolvimento progressivo acarretou em mudanças significativas na religião, nos meios de comunicação, na legislação pátria, nas relações entre os indivíduos e com o meio. Esta mudança nas relações humanas acarretara na mudança na moral. Entende-se como moral os princípios e regras as quais os indivíduos não as violariam. Então neste momento ocorre o questionamento: "Por que os valores morais estão sendo violado?" Não há a violação, o que ocorre é a mudança destes princípios aos quais os indivíduos se comprometem a cumprir irrestritamente. Então, depreende-se que a moral são as regras e os protocolos dotados de princípios, estes que são multáveis com progredir das gerações humanas, aos quais os indivíduos se comprometem a cumprir. Podendo haver duas ou mais morais a medida do crescimento de conjuntos de pessoas de épocas diferentes, em muitos casos, ocorrendo conflitos de valores e de gerações. Com esta introdução a evolução da moral dos indivíduos, pode-se relacionar a mudança moral e a alteração das gerações como fatores à análise da violência urbana.

-Violência urbana e a moral

Com a mudança dos princípios morais, as ações que outrora fora atribuída uma qualidade negativa, agora não mais são entendidas como algo "mal" ou intransgressíveis. Segundo o Prof. Dr. José Pedro Luchi p.5

Tendo o homem ao mesmo tempo uma disposição moral e uma disposição natural, ele acolhe na sua máxima, como moventes, tanto a lei moral como o princípio subjetivo do amor de si. Porém esses moventes não podem ser simplesmente justapostos, mas é preciso que haja um subordinação entre eles.

Assim, é atribuído ao homem subordinar a disposição natural e a moral, uma à outra, deste modo o homem é apresentado novamente como o âmago da ação, é de raciocínio valorativo que subordinará a disposição natural à moral. Contudo, este raciocínio deve levar em consideração alguns fatores internos, a parte mais particular e íntima de um indivíduo, assim se ele faz o exame valorativo para subordinar uma à outra, esta análise já compreende-se fomentada de moral, tendo em vista que a subordinação não é algo aparte ao indivíduo, mas inerente a ele, assim, há uma moral implícita à conduta do homem, este talvez na compreenda, mas o fato de não percebela não nega o fato daquele de existir. Em outro trecho de sua obra, o professor Dr. José Pedro Luchi.

O homem mau é aquele que inverte a ordem dos moventes, fazendo da satisfação das inclinações sensíveis a máxima suprema do arbítrio, às quais ele subordina a lei moral. Não se trata de uma diferença material, quanto às matérias das máximas, que levaria o arbítrio a uma oscilação entre o bem e o mal, mas da forma das máximas e de sua ordem invertida.

Ao inverter tal ordem, o homem torna-se mal, contudo, deve-se ser observado o que levou o homem a inverter a ordem. A inversão nunca houve, o que ocorreu é a mudança da lei moral, o homem aplica a sua disposição natural na sua "nova" lei moral. Esta que fundamenta todas as práticas que noutro tempo fora considerada abomináveis. Agora o homem pode comete-las, pois, a sua moral não se abala uma vez que esta é o seu princípio e disposição supra subordinadora as outras disposições. Deste modo, um homem que ofende a ordem natural social, as leis e as normas fundamentais não pode ser visto como um amoral ou imoral. Este é tanto quanto qualquer indivíduo, detentor de moral, entretanto, a sua moral pode ser sui generis.

-A causa moral da violência urbana

A fluidez moral proporcionada pela mudança dos princípios que norteiam os homens tem como corolário a violência urbana, esta não tento como a única resultante a mudança moral, mas é inevitável a negação do coeficiente moral do resultado violência. A livre escolha do indivíduo em adotar princípios básicos torna-o responsável pelo seus atos, segundo o Prof. Dr. José Pedro Luchi p.6

Quando Kant diz que não devemos admitir que nosso caráter, isto é, o resultado dos efeitos da adoção de uma ordenação de máximas, surgiu no tempo, Rawls entende que não devemos compreender nosso caráter como um artefato social, ou como um produto de eventualidades, mas como fruto de nossa faculdade de livre escolha e de espontaneidade da razão, a partir de predisposições dadas.

A razão, as faculdades e as escolhas do indivíduo tem como legítimo vetor a moral, em uma sociedade onde esta encontra-se em constante mutação, a insegurança moral ocorre como o fator que desencadeia os efeitos da violência, os princípios fundamentais como a os valores da vida, da propriedade, do bem comum, da coletividades e entre outros encontram-se em uma forma esfumaçaste, em sentido abstrato, o querer humano ainda anceia tais princípios, mas não os encontra como outrora, agora estes não sãos mais princípios, mas ideias, e estas pertencem aos ao mundo das ideias, apenas na teoria de Platão. Entender que a violência é resultante da fragmentação moral, compreende-se como fragmentação moral a possibilidade de diversas morais no mesmo período de tempo, dados postos, essa fragmentação possibilita a instauração do caos2 , onde uma pequena mudança em um determinado poderia proporcionar a resultantes inimagináveis, onde muitos princípios de múltiplos sentidos, muitas vezes antagônicos, habitam haverá um confronto de convicções. Dessarte, a moral fracionada que hoje existe, possibilita a liquidez de conceitos e costumes. O indivíduo em que a sua gênese se encontra uma moral onde o bem comum, a coletividade e a vida do seus símil ao ponderar com o interesse particular, eu antes de nós, terá como peso determinador a auto conservação, o amor sí próprio, não a coletividade.

O efeito corolário da moral na sociedade

Sociedade, tem como origem o momento histórico em que o homem deixou de ser nômade e fixou-se com o ânimo definitivo e com o fim de aproximar os de sua semelhança, vivendo em coletividade, hoje está coletividade deixou de ser semelhante, a pluralidade de ideais, que habitam os espaços urbanos colocou em cheque o fundamento principal da existência da sociedade que para Tomas Hobbes é a paz civil, no momento que o homem abdica de suas liberdades em proveito de sua segurança, ele entrega ao Estado o poder para a manutenção da paz. Contudo, onde há diversos e antagônicos princípios que em muitas vezes não compreendem ou não compactuam com o ideal contratualista pode dar início a um violento e implícito conflito, onde não há como foco principal a conquista do poder, mas a imposição do ideal vencedor. A violência nas grandes metrópoles e nas pequenas cidades mutas vezes tem como o agente causador o sujeito marginalizado, que se encontra a parte da sociedade, muitos veem o indivíduo como foco para as indagações, mas para compreender os fatos que o fomenta a cometer violentos atos, nem sempre físicos, mas podendo ser contra os ditos bons costumes da maioria, mas a real matriz destes fenômenos é a moral que encontra-se em um estado diferente da coletividade. Assim a raiz da violência pode ser não a falta da moral, mas a sua heterogeneidade.

-Classe social, moral e violência

Em uma sociedade estatizada, onde o status do indivíduo é a sua identidade. Segundo o Prof. Dr. José Pedro Luchi p3.

O coração humano pode ser, em primeiro lugar, frágil, enquanto objetivamente ou em tese, assume a lei moral na máxima do arbítrio, porém subjetivamente deixa que a inclinação seja mais forte como movente. Em segundo lugar misturam-se os moventes morais com os não-morais, ou cumpre-se o dever não puramente pelo dever, mas por outros moventes, ainda que sejam bons; a lei moral, de qualquer forma, não é suficiente para mover o arbítrio. E isso ocorre freqüentemente (quase sempre).

De acordo com este pensamento, a moral não seria resistente suficiente ao contraporse as vontades e ações humanas, o arbítrio contudo, se há a vontade é por que existe algo que a motiva, logo uma moral tácita. Os indivíduos agem em muitas das vezes não com a pureza, mas com um desejo obscuro, as diferentes classes muitas das vezes, se não a maioria, têm morais diferentes, mas iguais, diferentes quanto a sua apresentação, a estética moral, onde se apresenta como moral o cumprimento da lei, a bondade, entretanto, se estas ações detiverem como objetivo diferentes de suas ações,"quando o arbítrio subordina o movente da lei moral a outros, o coração humano é perverso Nessa situação podem ser realizadas ações externamente boas, conforme a lei, porém a intenção é corrompida desde a raiz." (Prof. Dr. José Pedro Luchi p. 3,4), Logo, a moral destes não é a que se apresenta, é a justificativa dos seus atos que comprovam a sua moral. Assim é a violência urbana, a moral de diferentes classes sociais, quando em contatos em alguns casos podem provocar atos de violências, esta podendo se apresentar de diferentes meios, é importante salientar que aqui não ocorre a justificativa de uma classe ter uma moral mais pura que a outra, o que há é que em um complexo sistema social, onde há diversas camadas sociais, ocorre diferentes costumes, quando estes entram em colisão podem gerar como resultante a violência, onde uma classe fundar-se em princípios aos quais o capital prevalece sobre o homem poderá acarretar violência aos direitos humanos, a dignidade da pessoa humana e até do livre mercado. A violência urbana não tem apenas a face dos confrontos policiais, mas uma teia de diferentes exteriores, como a violência física, a polarização política e os confrontos, a radicalização das ideologias e seus atos. A recente maliabilidade da moral proporcionou diferentes classes, estas não mais sociais, mas agora morais. Após o ano 2000, houve a mudança de era, do milênio, do século e de décadas, assim também ocorreu com a moral, existem os conservadores, os liberais e os radicais dentro de diversas ideologias fundamentas de princípios e quanto mais fragmentados forem estes, maior o número de diferentes atos e fatos ocorreram, estes serão diferentes, para cada classe, onde poderá ser visto como algo natural, ou como um ato violento.

Conclusão

A simples perspectiva da violência urbana através dos fatore social-econômico impossibilita a ampliação do entendimento de sua real gênese, o estudo da moral, dos princípios e diretrizes as quais fundamentam as ações e escolhas que as pessoas adotam para a prática da violência urbana.


Termos e conceitos:

1 Conceito de gênese segundo o site:https://conceito.de/genese

2 A Teoria do caos trata de sistemas complexos e dinâmicos rigorosamente deterministas, mas que apresentam um fenômeno fundamental de instabilidade chamado sensibilidade às condições iniciais que, modulando uma propriedade suplementar de recorrência, torna-os não previsíveis na prática a longo prazo.


REFERÊNCIAS

LUCHI,José Pedro. O mal radical

FRANCISCO, Luciano Vieira. "Platão e o mundo das idéias"; Brasil Escola. Disponível em http://brasilescola.uol.com.br/filosofia/platao.htm . Acesso em 26 de novembro de 2017.

"Violência urbana". Toda matéria.Disponível em :https://www.todamateria.com.br/violencia-urbana/. Acesso em 26 de novembro de 2017.

Moral.Wikipédia Disponível em:https://pt.wikipedia.org/wiki/Moral. Acesso em 26 de novembro de 2017.

Significado de Moral.Significados.Disponível em:https://www.significados.com.br/moral/. Acesso em 26 de novembro de 2017.

Redação Mundo Estranho. "O que é a teoria do caos?"Disponível em:https://mundoestranho.abril.com.br/ciencia/o-queea-teoria-docaos/. Acesso em 26 de novembro de 2017.

Sociedade.Wikipédia .Disponível em:https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade. Acesso em 26 de novembro de 2017.

Tabula (não) Rasa & Libertarianismo Bleeding Heart."Cláusulas do contrato social para constituição do Leviatã Hobbesiano."Disponível em. https://libertarianismoedarwinismo.wordpress.com/2013/09/22/clausulas-do-contrato-social-para-consti... Acesso em 26 de novembro de 2017

. Classe social. Wikiipédia Disponível em:https://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_social. Acesso em 26 de novembro de 2017.

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